
por Hera Hilton
22.03.2026
“I AM” é o álbum de estreia de um dos nomes mais comentados da nova geração do RP musical: Hera Hilton. Ainda assim, o projeto poderia facilmente ser rebatizado como “Infantil” ou até mesmo “Fútil”. Com apenas quatro faixas, o material se mostra curto demais para desenvolver com clareza a proposta artística da cantora, o que dificulta compreender com precisão sua real intenção. O que se evidencia nas composições, no entanto, são temáticas rasas e artificiais, que remetem diretamente a um imaginário infantojuvenil. As letras soam como desabafos de pré-adolescentes após conflitos escolares, girando em torno de inveja, ciúmes e da constante autoafirmação como “número 1”. Essa insistência constrói uma narrativa que tenta dialogar com um público jovem, mas acaba caindo em um lugar previsível e pouco sofisticado. A aparente intenção de se consolidar como um “ícone teen”, alguém a ser temido, invejado ou copiado, não se concretiza. Pelo contrário: o resultado é inofensivo, quase ingênuo, e carece de impacto. No campo da produção, há acertos. O trabalho é bem estruturado, atualizado e tecnicamente competente. Os efeitos aplicados aos vocais ajudam a dar um acabamento moderno ao projeto, cumprindo bem seu papel dentro da proposta. No entanto, a performance vocal de Hera Hilton deixa lacunas: sua entrega soa apática, como se cantasse sem esforço, mas também sem emoção. Ainda que as faixas não exijam grande extensão ou complexidade vocal, o resultado permanece apenas mediano, sem momentos de destaque. Na parte visual e gráfica, por outro lado, “I AM” encontra sua maior força. A ideia de apresentar múltiplas versões de “Hera” em sua capa, unificadas pela identidade marcante do cabelo, o chamado “Azul Hera”, confere ao projeto um conceito interessante e bem executado. Existe aqui uma tentativa clara de construir uma narrativa visual sobre identidade, multiplicidade e projeção de futuro, o que adiciona uma camada de profundidade que a música, por si só, não alcança. Ao contrário do que se pensa “I AM” não é um fracasso, mas sim um projeto imaturo. Há potencial evidente, especialmente na construção estética e na produção, mas falta desenvolvimento artístico. Com mais tempo, direção e maturidade, Hera Hilton pode transformar ideias promissoras em algo realmente marcante. Por agora, o álbum soa como um primeiro passo apressado, mais guiado pela urgência de chegar ao topo do que pelo cuidado necessário para se sustentar nele.
Avaliou: I AM - Hera Hilton
14.06.2026
amoo essa da minha erma