
por Passos
27.08.2025
“eu acho que todo mundo me odeia” é uma grande representação detalhada de como a depressão afeta a vida e as relações do seu hospedeiro. Como um pedido de socorro longo e repleto de agonia, o álbum nos transfere por quatro estações do ano como a sensação de passar um ano inteiro no fundo de um poço aguardando o seu momento de subir. Cada estação tem um nome, cor específica, estética e personalidade que são facilmente refletidas na mudança de sonoridade e emoções no decorrer do álbum. De acordo com entrevistas recentes de Passos, este é seu quarto álbum de estúdio (já que o primeiro não foi publicado ainda), e segundo a receber o prêmio PAM Awards de Álbum do ano. O projeto conta com um prólogo completo e quiz para garantir imersão no projeto. Ao avançar pelas faixas, é possível destacar faixas como “requiem” que destacam a lírica, “só hoje” que destacam o vocal e “desistir do amor” que destacam a produção musical no geral. É justificável o seu destaque tão rápido na comunidade, aliás, se trata de um álbum escrito e produzido por mais de dois anos. A prova de que trabalhar com calma leva a um bom trabalho. Se eu for me arriscar a caçar por defeitos, eu diria que o álbum foge bastante de um padrão comercial que era esperado para a ascensão da carreira de Passos. Com sua carreira decolando, seria muito mais vantajoso fazer um álbum pop e mais curto para atingir a atenção das grandes massas, pois é um trabalho longo e muito denso para quem está apenas tentando se arriscar em algo novo, mas o cantor decidiu por fazer um manifesto sincero sobre o real momento de sua vida diretamente para os fãs. Em conclusão, Passos nos mostrou que um trabalho bom demanda tempo, concentração, sinceridade e muita coragem. Não é da noite pro dia que você faz um projeto tão mirabolante. O prólogo do álbum termina com o lema da era, que é tirado do poema “Teimosia” de Sérgio Vaz, e diz: “Se me proibirem de andar pela água, nado pela terra”, e representa exatamente o sentimento do álbum, que é lutar contra a maré de pensamentos e situações ruins. Letra: 96 Produção: 93 Conceito: 95 Coesão: 92 Média Individual das Faixas: 93 Considerações Finais: 97 Nota Final: 95
22.08.2025
Quando “eu acho que todo mundo me odeia”, terceiro álbum de Passos, chegou às plataformas digitais, as redes logo se encheram de reações instantâneas: “amo muito”, “aoty”, “simplesmente genial”. Mas talvez o maior problema da recepção inicial seja justamente esse: a superficialidade. Um trabalho dessa magnitude não se esgota em poucas horas de audição, tratá-lo assim chega a beirar o desrespeito à obra e ao artista. Este é, talvez, o álbum mais próximo de literalmente perfurar um tubo no cérebro de Passos e deixar o público ouvir o fluxo cru de pensamentos e sentimentos. Para quem valoriza essa sinceridade confessional, Passos segue no auge de sua genialidade em equilibrar inteligência com catarse. Musicalmente, o disco é conduzido por piano, reverb e guitarras em fuzz, criando o trabalho mais sonhador e coeso de sua trajetória. Passos prova que continua um artista realizado, fiel às suas obsessões estéticas, culturais e pessoais, mesmo após sobreviver a crises que poderiam ter minado sua carreira no início. “eu acho que todo mundo me odeia” alterna olhares internos e externos: observa nossos medos existenciais enquanto revela a súbita esperança em um amor quase de marca registrada. A sensação é a de vê-lo sentado no chão frio de um banheiro, reinventando o sentimento mais depressivo com uma escrita que só sua sensibilidade poderia alcançar. O conceito das estações do ano costura a narrativa: sentimos o inverno seco em “medo medo medo”, e logo depois, a maresia de um verão salgado que gruda na pele. As falhas aqui não são escondidas, pelo contrário, estão expostas no próprio tecido do álbum. Vulnerável, Passos abre o jogo sobre a direção de sua reputação: seus pontos fracos transformados em força, naquilo que o mantém humano. O ápice da produção está em “réquiem”, onde é quase impossível distinguir se o coral é apenas a multiplicação de sua voz ou um conjunto de vozes convidadas. De qualquer forma, é algo inédito no universo musical do GTA RP. Em contrapartida, algumas faixas trazem produções mais simples e quase monótonas, como se quisessem apenas registrar uma ideia. Não comprometem a qualidade, mas destoam da grandiosidade dos momentos mais elaborados. O mesmo vale para a estética visual: direta, sem filtros ou excessos, prova de que não é preciso Blender ou Photoshop carregado para consagrar um conceito. No fim, “eu acho que todo mundo me odeia” não é o álbum de Passos mais pronto para tocar em rádios pop do FiveM, e justamente por isso é tão especial. É um livro aberto, confessional, e uma prova de que sua carreira segue sólida e promissora. A intenção não é dominar as paradas, mas garantir um lugar eterno nas playlists de momentos tristes, onde permanecerá por muito, muito, muito tempo.
Avaliou: eu acho que todo mundo me odeia (até você) - Passos
18.03.2026
gag de la gag
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09.03.2026
amo muito véi
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08.03.2026
perfeitooooooooooo
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31.08.2025
Eu Acho Que Todo Mundo Me Odeia é um retrato cru e honesto de sentimentos que muitos evitam colocar em palavras. A vulnerabilidade no título se traduz em cada faixa, criando uma obra autêntica e impactante. É um álbum que toca fundo e deixa marcas. Minha avaliação: 100!
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27.08.2025
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10.08.2025
O espelho quebrou… Você ainda está acordado. O que faz por aqui? Está muito frio e muito calor. Vivo um sonho intenso e insalubre de caixas vazias jogadas pelo chão. Sinto meus pés gelados, mas minhas orelhas queimando. Meus dedos se tocam onde não deviam. Meus ossos tremem e dobram causando calafrios, e meus músculos contraem ao tamanho da minha insignificância. Por que você não consegue dormir? É a tempestade acontecendo no seu estômago? Você se sente da mesma forma? Tem medo de não acordar? Bom, acho que pode ter algo errado com você também. Está tudo bem se apenas nos encararmos pela próxima hora de forma curiosamente egoísta através desse tecido, mas se você quiser a gente pode conversar de verdade. Você quer? Eu quero. Eu preciso. Vejo as pessoas falando sobre dias melhores chegando, mas eu vejo elas falando sobre os problemas que causaram esse desejo por um dia melhor. Eu me sinto congelado em um mar de merda sendo forçado a assistir pessoas se machucando e se curando de novo, e de novo, e de novo, aguardando ansiosamente pela minha vez que cada vez se torna mais fantasiosa e surreal, já que a cada segundo que passa eu afundo um pouco mais. Acho que me acostumei com a ideia do tempo passando rápido demais porque eu não tinha força pra segurá-lo, e agora eu não tenho tempo pra me fortalecer e nem força pra me desacelerar. As pessoas gostam de dizer o que eu devo ou não fazer como uma fórmula básica para terminar uma equação que eles nunca viram. Uma cura pra uma doença que eles não tem. Eles querem me ajudar ou me dar mais motivos? Estão tentando fazer uma incisão delicada com um facão enferrujado. Ao menos sabem do que estão falando? Meu corpo não aguenta navegar em águas tão turbulentas. Minhas lágrimas são cinza como uma árvore centenária morrendo discretamente. Eles me fazem encarar e esperar até que ela caia. Uma lição que eu aprendi sobre o amor é que não existe vínculo isento de catástrofes. Seguir em frente é priorizar sua força e insistir em continuar tentando. Mas e se a catástrofe mexe no seu vínculo com você mesmo? O ódio também é uma forma de amor. O amor ruim. É se importar o suficiente para não deixar de pensar no quanto a presença ou apenas existência de alguém te causa desconforto e revolta. Isso pode ir de explicação a autorreflexão em segundos, já que é meu relacionamento comigo mesmo desde o dia que eu nasci 20 anos atrás, mesmo que pareça que eu vivi 60 e absorvi apenas 12. Toda vez que eu começo um novo capítulo na minha vida eu tento me reinventar musicalmente. Para mim, meus álbuns são como fragmentos de quem um dia eu ainda vou ser. Quando planejo, eu me imagino dançando com as mãos cheias de tinta torcendo para que meus movimentos façam as cores respingarem nas pessoas, pois aquilo que as mancha é o que reflete nas suas vidas ao se identificar com a narrativa. Dessa vez eu realmente espero que não respingue em ninguém, pois não é uma dança e nem tinta. Seja bem-vindo ao experimento do que pode manchar seu manto de ideias, princípios e empatia quando um artista atira na própria cabeça publicamente. Antes que eu possa perceber, as cortinas sobem enquanto meu crânio colapsa. Assim eu entro em cena: Com os braços escorrendo o sangue frio de um coração seco de vida. Não me pergunte meu nome, com quem estive, meu endereço ou minha idade. Pra ser sincero, acho que não me lembro como é estar fora das metades. Muito novo pra ser velho e muito velho pra ser novo, mas é claro que isso muda dependendo de a quem vai convir. Aqui nos encontramos: Entre a mentira e a hipocrisia, entre a dúvida e a incerteza, entre um ego perigoso e uma autoestima trágica. Somos almas sem corpo perdidos em corpos sem alma. Pensei muito e talvez tenha uma conclusão: eu acho que todo mundo me odeia. Até você. “Se me proibirem de andar pela água, nadarei pela terra”. Eu vou dar um jeito de sair dessa, eu prometo. Eu nunca morro, nem se eu quiser, nem se eu tentar. Atenciosamente, um fantasma que você conhece.