
por Alanna Grant
20.09.2026
APRESENTAÇÃO E VISÃO GERAL Lançar um trabalho autointitulado como cartão de visitas é sempre um movimento ousado e carregado de simbolismo. Ao batizar seu primeiro disco com o próprio nome, Alanna Grant cria no ouvinte a expectativa imediata de uma imersão profunda em sua identidade. Em ALANNA, a artista entrega uma produção sonora impecável e reafirma seu calibre como um dos grandes nomes da nova geração do cenário artístico, mas esbarra na falta de profundidade temática e em redundâncias que impedem o projeto de atingir seu potencial máximo. ANÁLISE FAIXA A FAIXA A primeira metade do projeto estabelece uma estética sonora robusta ancorada no pop urbano, R&B e dark pop com fortes influências dos anos 2000. A faixa-título "ALANNA" abre o disco com excelência, combinando batidas de funk brasileiro a uma autorreferência inteligente que foge da autoexaltação vazia. Essa energia se mantém em "Vitrine", com melodias marcantes que reforçam a postura intocável da artista, e em "Baba Baby" (feat. Ciane Flowers), que se destaca pelo uso impecável do sample de Kelly Key e pela ótima química vocal. Contudo, deslizes na narrativa e na curadoria começam a surgir: "Rifle Duplo" (feat. Merlin Moon) peca pela falta de contraste entre as vozes, enquanto "POPSTAR" soa redundante ao repetir temas já consolidados nas faixas anteriores. O "Interlúdio", por sua vez, falha na execução técnica ao tentar simular uma transmissão de rádio sem os devidos filtros sonoros. Na segunda metade, o álbum ganha um tom mais intimista e vulnerável. O grande ápice técnico e emotivo surge em "Salvar Nosso Amor", onde arranjos no instrumental e vocais cristalinos mostram a capacidade da artista de ir além da superficialidade pop. "Primavera" ensaia um movimento promissor de libertação, mas se perde em construções confusas e contradições na escrita. Rumo ao encerramento, "Difícil de Lidar" constrói uma atmosfera de suspense adequada para abordar o término de um relacionamento, embora sofra com uma introdução silenciosa longa demais. Por fim, o projeto é selado de forma apática por "POPSTAR (Remix)" (feat. Maze), uma adição dispensável que pouco acrescenta ao encerramento da obra. - Favoritas do Decibel: ALANNA, Baba Baby e Salvar Nosso Amor CONSIDERAÇÕES FINAIS No quesito produção musical, ALANNA é um projeto exemplar: mixagem, masterização, tratamento de vozes e qualidade dos instrumentais atingem padrões altíssimos. Contudo, nem o brilho da produção consegue encobrir a falta de coesão e as redundâncias temáticas. Sendo um álbum de estreia e autointitulado, a expectativa era conhecer quem é Alanna Grant além dos holofotes. A faixa "Salvar Nosso Amor" é a prova cabal de que a artista tem consistência e vulnerabilidade a oferecer. Faltou mais disso. Grandes popstars não se sustentam apenas discutindo fama, vitrines e inalcançabilidade, a verdadeira conexão com o público nasce da humanidade. Alanna possui um calibre indiscutível e é uma das grandes promessas do nosso cenário, mas precisa de um repertório que explore melhor a sua profundidade. AVALIAÇÃO & NOTAS - Letra (70/100): Traz composições marcantes e autorreferências inteligentes (como em "ALANNA" e na vulnerabilidade de "Salvar Nosso Amor"), mas perde pontos por redundâncias temáticas ao longo da tracklist e contradições narrativas em "Primavera". - Produção Musical (97/100): Excepcional para os padrões do RP artístico. Traz mixagem, masterização, tratamento vocal e qualidade dos instrumentais no topo do cenário, pecando apenas por detalhes pontuais na execução técnica do Interlúdio. - Conceito e Coesão do Álbum (60/100): Apresenta uma estética bem definida e envolvente, mas peca no alinhamento narrativo ao incluir faixas repetitivas ("POPSTAR" e seu remix) e ao deixar de aprofundar quem é Alanna Grant além da faceta de popstar. NOTA FINAL: 76
Avaliou: ALANNA - Alanna Grant
27.09.2026
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